segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A rua sem nome

O seu domínio
É o meu quarto vazio
Em uma rua sem nome
Onde não vivo nem morro
Em baixo da sua pele
Por onde eu te percorro
E não me acho (de novo)


É um espaço guardado
Num velho porta-retratos
Esperando seu rosto
Um esboço qualquer
Deste amor apagado
No verde dos teus olhos
Onde um dia eu vivi


É o silêncio do grito
Desespero contido
Entre o bem e o mal
Querer de uma flor
A ausência da dor
Numa espera eterna
Linha tão reta
Que se perde o final


É um espelho quebrado
É o silêncio do grito
É um espaço guardado
É o meu quarto vazio
Naquele porta retrato
É minha vida e você
E nunca mais serei eu
Porque sem ti não sou nada

terça-feira, 17 de julho de 2007

Atemporal

Amor
Estado da matéria humana
Não é sangue, vento ou chama
Pode ser um instante
Um mês
Não mais que uma semana
Ou séculos
Enterrados de mãos dadas
Almas atadas por destino
É o plural do indivíduo
E mais
É a busca do sentido
Da vida de um
Na vida do outro
Amor atemporal
Não tem padrão
Não se consome
Se resolve por si, e só

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Astronomia

Abra os olhos, meu amor
Veja a estrela mais linda que jamais existiu
Ela nasce agora nos seus olhos
Galáxia que brilha em sua retina
É a suspensão do momento
São supernovas em beijos
Equações de saudades, de desejos
Vagando pelo espaço dentro de ti
E dentro de mim
Um universo paralelo
Explode em um acorde complexo
Reflexo da relatividade entre tempo e espaço
Um abismo entre dois passos
Buraco negro entre o nós
Silêncio intermitente contra o som da sua voz
E é todo som que eu quero ouvir

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Meio segundo inteiro

Eu vejo o invisível do tempo
Nos seus olhos, profundos, de verde cinzento
Refletem o sol vestido de negro
Que nasce de luto
Aquece o medo
De não mais ter controle
Sobre o destino, eu creio
Que hora parado em si mesmo
Se olha no espelho,
Não vê sua imagem
E perde o momento
De ver nos seus olhos de verde cinzento
Muito mais que o invisível
E o medo
A beleza de meio segundo inteiro
Eterno em seus olhos
Eterno no tempo

terça-feira, 15 de maio de 2007

O amor que cabe em si

Eu te amo, não exatamente porque preciso de você
Tão pouco inteiramente que não consiga suportar
Não é sufoco nem suplício, não há entrega ou sacrifício
É só um estado de espírito, é sentido que se dá

Eu te amo, não um amor que me faça enlouquecer
Nem tanto assim que não se possa explicar
Não é um hábito, nem um vício, não é razão, nem é difícil
É uma frase assim, de início, eu só te amo por amar

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Pastel

Eu e meu pastel crocante
Uma manhã insinuante
Em meio à toda farofada
Como se fossemos amantes

Não te troco meu pastel
Você sim é que é fiel
Vem fritinho e recheado
Não te solto, não te largo

Croc-croc faz você
Croc-croc ao te morder
Te devoro já, sem calma
Sou vampiro da sua alma
Eu te amo (como) até morrer

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O fim (é o começo)

Eu crio pelo avesso
Digo adeus à este começo
Me despeço e vou embora
Limpo as mãos e bato a porta
Dou um beijo e vejo a hora
É tão tarde, é tão agora

Eu crio pelo avesso
Digo olá e me despeço
Caio dentro, caio fora
Vivo um dia em meia hora
Um abraço me desola
Já não fico ou vou embora