Desenhei você num muro
Em branco
Em preto
Sob um céu cinza claro
Escuro
Pra te deixar passar
Pra me deixar, deixar
Você sair do espaço curto
Bem no fundo do meu peito
Eu rabisquei você
Na face nua do cimento
Num dia oco
Seco... Quente...
Que furioso
Chorou
Virou do avesso
Cobriu o deserto com um véu de gelo
Meio lindo
Meio feio
Uma obra de arte
Que eu não entendo
E este dia se repete
O tempo todo
O tempo inteiro
Em frente ao muro
Eu te desenho
Todos os dias
Exatamente do mesmo jeito
paredesvazias_
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
sábado, 31 de julho de 2010
setenta e cinco janelas
somos dois no começo da noite
somos todos quando nasce o dia
eu sou seu plural
eu multiplico sua mente
te desprendo da percepção
pra te fazer pensar
no que é real
enfim?
e a conseqüência somos nós
sentados na sala
de janelas abertas
para que todos possam ver
que a gente se aceita
ou melhor, simplesmente respeita
o pensamento do outro
permitindo assim
que eu seja o seu
e você seja a minha
sem fardo, sem peso
mas completamente
alegria
realidade que você só vê em sonho
e que eu materializo
você se coça
eu tematizo
idéias loucas
que ninguém mais entende
você entende?
eu sou a questão
que ninguém responde
nós somos sãos num mundo de loucos
(escrito com o apoio moral de Fernanda Flud)
domingo, 16 de maio de 2010
Autorretrato
eu nasci do avesso
e ao contrário mesmo eu fui me virando
não necessariamente pro lado que parecia certo
mas no sentido oposto ao ponto que parecia cômodo
(pros outros)
e em cada um desses pontos
eu escolhi virar o sentido do jogo
naturalmente assim
eu me tornei o resultado de algo novo
sem perceber
só por estar
aparentemente reto
(mas) verdadeiramente torto
um jogo de ligar pontos
impossível de ser completo
intenso, só respeito os limites dos meus versos
amo demais
e não me importo com o resultado das coisas
eu gosto é do processo
vivo como louco
sábado, 19 de dezembro de 2009
O hóspede
Algo invade a sala de estar
E eu estou lá
Não vejo a forma
Não sinto cheiro
Não me importo
Eu sei que está lá
Da forma que for
De um jeito qualquer
Algo invade a sala de estar
E agora
Sorrateiramente
Lambe o meu corpo
E pretende dentro de mim ficar
Fazer moradia
Um hospedeiro sem lar
Então
Eu permito que fique
Porque me faz ser melhor
Eu me faço de louco
E finjo que não vejo onde está
Mas ele está lá
Na sala de estar
Dentro do meu corpo
Deitado no sofá
E eu estou lá
Não vejo a forma
Não sinto cheiro
Não me importo
Eu sei que está lá
Da forma que for
De um jeito qualquer
Algo invade a sala de estar
E agora
Sorrateiramente
Lambe o meu corpo
E pretende dentro de mim ficar
Fazer moradia
Um hospedeiro sem lar
Então
Eu permito que fique
Porque me faz ser melhor
Eu me faço de louco
E finjo que não vejo onde está
Mas ele está lá
Na sala de estar
Dentro do meu corpo
Deitado no sofá
sábado, 28 de novembro de 2009
Bom dia, e é tudo
Bom dia pro Mundo!
Pro surdo eu aceno um sorriso com as mãos
Pro cego eu sussurro um toque com verbos
Pro mudo eu só olho
Sincero
E escuto as palavras que ele não pode dizer
Bom dia humanos!
Lavem suas peles com água e sabão
Renovem suas almas
Acreditem em Deus (ou não)
Acreditem em mim
Façam uma oração
Tomem um café, comam frutas, pão
E cruzem as ruas depressa
Para não encarar os olhos do cego
Os gestos do surdo
O silêncio do mudo
Os olhos, os gestos e o silêncio do Mundo
Bom dia, e é tudo!
Pro surdo eu aceno um sorriso com as mãos
Pro cego eu sussurro um toque com verbos
Pro mudo eu só olho
Sincero
E escuto as palavras que ele não pode dizer
Bom dia humanos!
Lavem suas peles com água e sabão
Renovem suas almas
Acreditem em Deus (ou não)
Acreditem em mim
Façam uma oração
Tomem um café, comam frutas, pão
E cruzem as ruas depressa
Para não encarar os olhos do cego
Os gestos do surdo
O silêncio do mudo
Os olhos, os gestos e o silêncio do Mundo
Bom dia, e é tudo!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Já estava na hora...
Antes tarde do que nunca.
Este blog está oficialmente em funcionamento novamente.
Aguardem por novidades.
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Aguardem por novidades.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
A rua sem nome
O seu domínio
É o meu quarto vazio
Em uma rua sem nome
Onde não vivo nem morro
Em baixo da sua pele
Por onde eu te percorro
E não me acho (de novo)
É um espaço guardado
Num velho porta-retratos
Esperando seu rosto
Um esboço qualquer
Deste amor apagado
No verde dos teus olhos
Onde um dia eu vivi
É o silêncio do grito
Desespero contido
Entre o bem e o mal
Querer de uma flor
A ausência da dor
Numa espera eterna
Linha tão reta
Que se perde o final
É um espelho quebrado
É o silêncio do grito
É um espaço guardado
É o meu quarto vazio
Naquele porta retrato
É minha vida e você
E nunca mais serei eu
Porque sem ti não sou nada
É o meu quarto vazio
Em uma rua sem nome
Onde não vivo nem morro
Em baixo da sua pele
Por onde eu te percorro
E não me acho (de novo)
É um espaço guardado
Num velho porta-retratos
Esperando seu rosto
Um esboço qualquer
Deste amor apagado
No verde dos teus olhos
Onde um dia eu vivi
É o silêncio do grito
Desespero contido
Entre o bem e o mal
Querer de uma flor
A ausência da dor
Numa espera eterna
Linha tão reta
Que se perde o final
É um espelho quebrado
É o silêncio do grito
É um espaço guardado
É o meu quarto vazio
Naquele porta retrato
É minha vida e você
E nunca mais serei eu
Porque sem ti não sou nada
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