sábado, 31 de julho de 2010

setenta e cinco janelas

somos dois no começo da noite
somos todos quando nasce o dia
eu sou seu plural
eu multiplico sua mente
te desprendo da percepção
pra te fazer pensar
no que é real
enfim?
e a conseqüência somos nós
sentados na sala
de janelas abertas
para que todos possam ver
que a gente se aceita
ou melhor, simplesmente respeita
o pensamento do outro
permitindo assim
que eu seja o seu
e você seja a minha
sem fardo, sem peso
mas completamente
alegria
realidade que você só vê em sonho
e que eu materializo
você se coça
eu tematizo
idéias loucas
que ninguém mais entende
você entende?
eu sou a questão
que ninguém responde
nós somos sãos num mundo de loucos

(escrito com o apoio moral de Fernanda Flud)

domingo, 16 de maio de 2010

Autorretrato

eu nasci do avesso
e ao contrário mesmo eu fui me virando
não necessariamente pro lado que parecia certo
mas no sentido oposto ao ponto que parecia cômodo
(pros outros)
e em cada um desses pontos
eu escolhi virar o sentido do jogo
naturalmente assim
eu me tornei o resultado de algo novo
sem perceber
só por estar
aparentemente reto
(mas) verdadeiramente torto
um jogo de ligar pontos
impossível de ser completo
intenso, só respeito os limites dos meus versos
amo demais
e não me importo com o resultado das coisas
eu gosto é do processo
vivo como louco